FORÇA DA POBREZA

A Primeira Pedra Lançada

“A colonização é uma engenharia de destroçar gente, a descolonização, não somente como conceito, mas enquanto prática social e luta revolucionária, deve ser uma ação inventora de novos seres e de reencantamento do mundo.”
 

(Luis Rufino  - Pedagogia das Encruzilhadas)

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Idealização e Coordenação: Anna Fernanda e Bruno Peixoto

Conselho Editorial: Anna Fernanda, Bruno Peixoto, Manuela Paiva Ellon, Marcelo Valle e Pedro Otávio Cavalcante

Programação Visual: Manuela Paiva Ellon

Consultoria e Entrevistas: Andreia Fernandes, Danielle Maia, Fábio Emecê, Geraldo Ferreira, Ivo Barreto, Meri Damaceno, Márcia Fulô, Rosângela Guimarães

Trecho do Documentário "Casa da Flor - do Lixo à Beleza"Gabriel dos Santos
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Aralume, Pedra Luminosa

 " Ao começar meu trabalho de escritor (em 7 de Outubro de 1945), não digo que já tivesse clara consciência do que disse até aqui. Mas, “na noite criadora da vida pré‑consciente do intelecto” (noite talvez mais clarividente do que a luz da razão puramente reflexiva), eu já acreditava que devia escrever como se a sorte do meu País, do meu Povo, da Rainha do Meio-Dia e até do Mundo dependessem do que eu fizesse. Não tendo poder político nem econômico, isso era o que podia fazer: um Romance, um Teatro, uma Poesia que pelo menos não aviltassem o nosso País; uma Arte que, por ser ligada ao nosso Povo, pelo menos também indicasse um caminho político e esboçasse uma Teoria do Poder que, expressando esse mesmo Povo, desenhasse o contorno do mapa capaz de definir nosso País como Nação.  Infelizmente, via-me obrigado a constatar: o que conseguíamos fazer era pouco, muito pouco; porque, apesar de figuras luminosas como Gabriel Joaquim dos Santos, Euclydes da Cunha, Heitor Villa-Lobos, Lima Barreto ou Augusto dos Anjos, continuam violando e roubando a alma e a honra do nosso País, cuja linha de frente é a nossa Cultura. Não importa. Fiel ao sonho de minha juventude, venho fazendo o que posso e considerando cada Poema, cada Peça, cada Romance, cada Ensaio que consigo levantar como “um Caco” semelhante aos do genial Arquiteto popular que foi Gabriel Joaquim dos Santos: aos poucos, cada um deles iria se juntar ao todo que é A Ilumiara — uma outra, nova e grande Casa da Flor; um Castelo, Obra, Marco e Padrão, uma Fortaleza, na qual as gerações que vão nos suceder, na pior das hipóteses, poderão enxergar a face do Brasil verdadeiro e profundo — o Brasil “que poderia ter sido e que não foi”."
 

(Ariano Suassuna)